Endometriose e fertilidade: o que toda mulher precisa saber

Dra. Eleonora Pasqualotto24 de julho de 20266 min de leitura
Mulher com desconforto abdominal, sintoma comum da endometriose

A endometriose é uma das condições mais comuns — e mais mal compreendidas — na saúde da mulher. Ela afeta a fertilidade de forma diferente em cada paciente, e entender essa relação é o primeiro passo para lidar com o diagnóstico sem pânico.

Endometriose é o crescimento de tecido semelhante ao endométrio (a camada interna do útero) fora do útero — em locais como ovários, trompas e outras estruturas pélvicas. Esse tecido reage aos hormônios do ciclo menstrual da mesma forma que o endométrio, causando inflamação, dor e, em alguns casos, formação de aderências.

Endometriose sempre causa infertilidade?

Não. Nem toda mulher com endometriose terá dificuldade para engravidar. O impacto na fertilidade varia de acordo com o grau e a localização das lesões, a idade da paciente e outros fatores individuais — algumas mulheres com endometriose engravidam espontaneamente, sem qualquer tratamento de reprodução assistida.

Como a endometriose pode afetar a fertilidade

Quando afeta a fertilidade, a endometriose costuma agir de mais de uma forma: pode distorcer a anatomia pélvica e prejudicar a captação do óvulo pela trompa, gerar um ambiente inflamatório que interfere na qualidade do óvulo e na implantação do embrião, ou formar cistos ovarianos (endometriomas) que reduzem a reserva ovariana. Em casos mais avançados, cirurgias para tratar a doença também podem impactar a quantidade de óvulos disponíveis.

Pontos-chave

  • Nem toda endometriose causa infertilidade — o impacto é individual.
  • O tratamento nem sempre é a FIV; a via depende da gravidade e do desejo reprodutivo da paciente.
  • Diagnóstico precoce amplia as opções de tratamento e de preservação da fertilidade.

Sinais que merecem atenção

  • Cólicas menstruais intensas, que pioram com o tempo ou não melhoram com analgésicos comuns;
  • Dor pélvica fora do período menstrual, incluindo durante a relação sexual;
  • Alterações intestinais ou urinárias cíclicas, associadas à menstruação;
  • Dificuldade para engravidar associada a qualquer um dos sinais acima.

A dor menstrual intensa é frequentemente normalizada — "toda mulher sente cólica" — o que atrasa o diagnóstico em muitos casos. Dor que interfere na rotina não é normal e merece investigação.

Diagnóstico: como é feita a investigação

A avaliação combina histórico clínico detalhado, exame físico e exames de imagem especializados, capazes de mapear lesões de endometriose profunda. O Mapa da Fertilidade reúne, numa mesma jornada, os exames que ajudam a entender tanto a doença quanto a reserva ovariana.

Qual o tratamento?

Não existe um caminho único. Dependendo da gravidade, da idade e do desejo reprodutivo da paciente, o tratamento pode incluir acompanhamento clínico, medicação hormonal, cirurgia, ou tratamentos de reprodução assistida como inseminação ou FIV — nem sempre nessa ordem, e nem sempre todos são necessários. Quando há indicação cirúrgica, avaliar a preservação da fertilidade antes do procedimento é uma conversa importante, já que a cirurgia pode reduzir a reserva ovariana.

Este conteúdo tem caráter educativo e informativo e não substitui a consulta médica presencial. Cada caso deve ser avaliado individualmente. Publicidade médica em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023.

Dra. Eleonora Bedin Pasqualotto
Dra. Eleonora Bedin Pasqualotto
Ginecologista · Reprodução Humana Assistida · Doutorado pela USP e especialização internacional · CRM/RS 21189 · RQE 31263
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