Fertilidade após os 35: o que muda e quando buscar ajuda

Dra. Eleonora Pasqualotto12 de junho de 20266 min de leitura
Mulher em consulta sobre fertilidade

A idade é um dos fatores mais determinantes na fertilidade feminina. Compreender o que acontece ao longo do tempo ajuda a tomar decisões com mais tranquilidade — e no momento certo.

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a fertilidade não diminui de forma repentina. Ela muda de maneira gradual, acompanhando a redução natural da reserva ovariana — a quantidade de óvulos disponíveis. A qualidade dos óvulos também diminui com o tempo, de forma mais acentuada a partir dos 35 anos e ainda mais exponencial após os 38. Essas mudanças não costumam gerar sinais ou sintomas perceptíveis — por isso, a única forma de saber como está a sua reserva é por meio de avaliação médica.

O que acontece com a reserva ovariana

A mulher nasce com um número finito de óvulos, que diminui ao longo da vida. Com o passar dos anos, além da redução na quantidade, há também uma queda na qualidade — o que pode tornar a gravidez espontânea menos provável e aumentar a chance de alterações cromossômicas.

Isso não significa que engravidar após os 35 seja impossível. Muitas mulheres concebem naturalmente nessa fase. O que muda é a probabilidade média a cada ciclo e o tempo que pode ser necessário para a gravidez acontecer.

Pontos-chave

  • A fertilidade reduz de forma gradual e sem sintomas percebidos, com queda mais acentuada após os 35 anos.
  • Reserva ovariana é a quantidade de óvulos; a qualidade também diminui com a idade, de forma mais acentuada a partir dos 38 anos.
  • A avaliação precoce amplia as opções de tratamento e preservação.

Quando procurar avaliação especializada

Como regra geral, recomenda-se procurar um especialista em reprodução humana quando:

  • Há tentativas de gravidez, sem uso de método contraceptivo, por 12 meses sem sucesso, em mulheres com menos de 35 anos;
  • Há tentativas, sem uso de método contraceptivo, por 6 meses sem sucesso, em mulheres com 35 anos ou mais;
  • Existem ciclos menstruais irregulares, endometriose, histórico de cirurgias pélvicas, alterações uterinas ou doenças que afetem a ovulação;
  • Há histórico familiar de menopausa precoce;
  • Há desejo de planejar a maternidade para o futuro e avaliar a preservação da fertilidade.

Quais exames ajudam a entender o seu cenário

A avaliação é individualizada, mas costuma incluir dosagens hormonais (como o hormônio antimülleriano, o AMH), contagem de folículos antrais por ultrassonografia e a avaliação do parceiro, quando aplicável. Esses exames ajudam a estimar a reserva ovariana e a orientar o melhor caminho.

Quais caminhos existem

Dependendo do cenário, as opções podem incluir desde orientação para tentativas naturais e tratamentos de baixa complexidade até a Fertilização In Vitro (FIV) ou o congelamento de óvulos para quem deseja adiar a maternidade. Cada caso é avaliado de forma personalizada, considerando idade, histórico clínico, exames e objetivos.

Se você está no início dessa investigação, também pode ser útil entender a diferença entre FIV e inseminação artificial.

O mais importante é entender que tempo é um fator valioso na reprodução. Quanto antes a avaliação acontece, mais opções estão disponíveis — com mais segurança e tranquilidade para decidir.

Para quem está avaliando o congelamento de óvulos como parte desse planejamento, também vale entender quanto custa congelar óvulos.

Este conteúdo tem caráter educativo e informativo e não substitui a consulta médica presencial. Cada caso deve ser avaliado individualmente. Publicidade médica em conformidade com a Resolução CFM nº 2.336/2023.

Dra. Eleonora Bedin Pasqualotto
Dra. Eleonora Bedin Pasqualotto
Ginecologista · Reprodução Humana Assistida · Doutorado pela USP e especialização internacional · CRM/RS 21189 · RQE 31263
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